11 de setembro de 2014

"The Power" vencida pela complexidade juvenil!!!

Como estou voltando para a casa que cresci, tenho me lembrado de cada coisa, mas só coisa boa, graças a Deus. É como se um baú da felicidade tivesse sendo aberto na minha mente e eu estou podendo reviver alguns momentos bem bacanas.

Me lembro do meu quarto em 1991. Eu tinha uns posteres nas paredes, era uma mistura muito louca de estilos, naquela época eu era bem eclética, curtia de tudo. Tinha muitos recortes de revistas e jornais, de R.E.M. a Faith no more, de Public Enemy a Engenheiros do Hawaii. Eu tinha um poster ridículo do Guns n´Roses, a coisa mais feia, e logo embaixo dele, tinha um poster do Bart Simpson. Ah, eu tinha só 11 anos, né?

Meu poster era parecido com isso...
Naquele mesmo ano, eu estava na 5ª série e o professor de Educação Física, pediu para que nos dividíssemos em grupos para fazer uma coreografia de alguma música e assim apresentá-la na Festa Junina que ocorreria no meio daquele ano, antes das férias. Logo formei meu grupo e tinha em mente alguma coisa do Snap. Eu tinha acabado de ganhar o disco e eles estavam fazendo muito sucesso na época, era muito legal e eu adorava aquelas danças, eu estava disposta a fazer algo bem bacana e arrasar naquele palco (hoje em dia, o palco da escola não existe mais), só que as coisas não saíram da maneira como eu imaginava. "The Power" era demais para as meninas do meu grupo. Na verdade, eu era sofisticada e complexa demais para a minha idade, elas não estavam no mesmo estágio que eu, não viam o mundo como eu via. Eu enxergava possibilidades e elas, nota semestral.


Quando eu apresentei a coreografia para elas, foi um desastre. Só a Cintia conseguia entender algumas coisas, mas as outras quatro, nossa... Diante daquilo o que eu poderia fazer? A solução foi encontrar uma outra música, com passos mais fáceis para que todas pudessem realizar a coreografia. Então, extraída da trilha da novela "Meu bem, meu mal" eu sugeri "Where are you baby?" da Betty Boo, estava indo do avançado ao estágio inicial (eu tive que entregar o troféu assim como Millie Vanilli fez com o Grammy).


Foram meses ensaiando, passos simples, mas pelo menos bem realizados. Combinamos a roupa e tudo mais (saia jeans, camisa e bota), mas quando chegou o dia eu estava tão de saco cheio daquilo tudo que eu não via a hora de dançar e acabar logo. Resultado: dancei com a roupa que eu estava mesmo (calça beg cor vinho, camiseta combinando e meu mocassim preto). As meninas ficaram furiosas comigo, me xingaram até não poder mais, mas eu era uma garota irredutível, não me rendia facilmente, afinal eu já havia trocado a música, a coreografia, o que mais elas queriam? Dane-se. Dançamos e tudo correu bem, só não as fotos que saíram escuras (a máquina não tinha flash).

Naquela tarde eu não brilhei, eu fui ofuscada. Hoje eu penso, fiz as mudanças necessárias para ajudar minhas colegas, eu não fui egoísta. Só que uma das garotas abandonou o grupo e nunca mais falou comigo. Se fosse hoje, eu não mudaria a música, talvez tivesse ensaiado em dupla com a Cintia porque ela foi a única que demonstrou interesse em apresentá-la do jeito que era.

Não me arrependo. Eu ainda tenho o disco do Snap, mas não consigo escutar "The Power" (sequelas?). Eu nunca mais vou conseguir fazer aqueles passos com tanta exatidão, nem o trecho final de se dobrar no chão como no clipe de "Ooops Up" (repare a partir de 2:20). Velhos tempos, velhos 11 anos!!!


E quem foi que falou que a vida é justa?