28 de março de 2014

Os dois meses que eu me tornei um elefante...

Escrito em 27 de Fevereiro de 2014 - penúltimo dia na loja de parafusos...

Antigamente os circos tinham muitos números com animais: leões, macacos e elefantes. Esses animais eram criados presos em jaulas, muitas vezes sofriam maus tratos e se alimentavam incorretamente. Bem, o simples fato de estarem fora de seu habitat natural já é considerado maus tratos.

Imagine-se num cativeiro...
Ao longo dos anos constatou-se que esse estilo de vida estava causando danos aos animais, alguns irreversíveis. A criação em cativeiro sem as devidas condições (alimentação, convivência e respeito) deixa o animal estressado, no caso dos elefantes, eles ficam de um lado para o outro, balançando a cabeça, a tromba, as patas, é um movimento repetitivo e sem explicação. Neste caso, não há nada que faça o animal voltar a se como era antes.

Trailer  do documentário How I Became an Elephant que mostra uma adolescente que decide ajudar os elefantes em condições de maus-tratos.


Viver preso não é fácil! E existe vários tipos de prisões:
  • um casamento fracassado que ambos continuam juntos, presos por comodismo ou medo de assumir uma nova vida;
  • casos depressivos, como pessoas que não conseguem ou não querem sair de casa mesmo tendo em mãos a chave de casa;
  • crianças criadas presas dentro de casa, na qual os pais trabalham muito e mesmo nas folgas não costumam sair com os filhos.

Liberdade é um direito de todos
No meu caso, estou me sentindo "presa" neste quadrado do caixa. A vida, às vezes, coloca a gente em cada cilada. O dia inteiro presa nesse quadrado, pelo menos eu tenho horário de almoço e posso ir no banheiro. Pra mim, é um castigo ficar assim, têm horas que começo a caminhar de um lado para o outro pra não ficar com as pernas inchadas de tanto ficar sentada. É nessas horas que me sinto um elefante de circo, me mexendo de um lado para o outro, um estado frenético que causa angústia.

"Paradise" do Coldplay - o clipe que ilustra bem o que cada animal selvagem deseja nesta vida, a liberdade de viver num paraíso, ou seja na casa deles.


Posso me libertar? Sim e estou prestes a fazer isso, estou no meu limite. Que pena que os bichos dos circos não tinham a esperteza de tomarem a decisão de caírem fora, né? Foi preciso a intervenção de grupos de proteção aos animais para que os circos fossem proibidos de utilizar animais em seus espetáculos. Se é pra rir, vamos rir do homem fantasiado de palhaço, rir de um animal que vive preso não é nem um pouco engraçado e é por isso que estou odiando ficar presa aqui... E as gracinhas dos clientes quando pergunto se querem a Nota Fiscal Paulista, não me dá nem um pouquinho de vontade de rir, para serem palhaços só falta a maquiagem, idiotas!!!

Cultura inútil: passos da salinha do caixa 10 por 18 passos (viu, eu estava quase pirando lá dentro!?!)

Na 4ª série fiz um trabalho sobre os Elefantes Africanos e tirei 10. Foi um trabalho simples e muito bem feito, me lembro de ter desenhado o elefante para ilustrar a capa. As informações eu extraí de uma antiga Enciclopédia que meu pai tinha em casa.

5 toneladas de boa memória, um elefante jamais se esquece daquele que o ajudar... 
PS estou livre desde 01 de Março, meu cativeiro durou 2 meses e tudo que sei é que eu não quero mais esse tipo de trabalho... :-)