7 de dezembro de 2013

Afinal pra qual trabalho eu sirvo?

Eu já fugi de entrevista, já fui contratada com dúvida (ah, não tem outra, contrata essa mesmo!), já perdi vaga por usar óculos e ter cabelos curtos, já fui questionada, humilhada e tratada feito um sofá de sala de espera. Já estive em agência que cultivava gatos e mal dava pra sentar nas poltronas para aguardar ser chamado porque os bichanos ocupavam todos os lugares. Já perdi vaga por ter ido bem demais em testes no computador (planilhas no Excel, por exemplo) e não ter experiência, já me perdi, tomei banho de chuva, já perdi salto de sapato e estou esquecendo das bolhas nos pés, milhares de bolhas...

Já se sentiu desvalorizada(o)?
Uma vez quase cai na rua por causa do salto gasto de uma bota velha, já fui atropelada por uma bicicleta voltando de uma entrevista, já rodei a cidade dentro de ônibus e conheci lugares que nunca mais pretendo ir, já desci a Rua Augusta pelo lado podre para chegar ao Centro e fazer uma homologação, já me enganaram, me iludiram e me passaram para trás, já riram da minha cara, do meu cabelo, do meu óculos, das minhas roupas e sapatos, já me senti invisível, já tive dor de barriga, já me ofereceram um salário de merda, já me fizeram chorar, já me fizeram perder o emprego. E hoje eu olho para trás e me pergunto: valeu a pena?

Eu conheci muita gente ao longo desses 15 anos, desde que me vi disponível ao mercado de trabalho e simplesmente, hoje, eu não quero aceitar qualquer coisa porque às vezes é como se eu estivesse vendo uma reprise, um filme que eu já sei o final. Mas eu conheci pessoas que com certeza me acrescentaram algo importante para eu ser a pessoa que sou hoje.

Sim, eu já usei terninho!
No meu primeiro emprego com carteira assinada, no Centro da Cidade, na Rua Líbero Badaró, eu conheci a Lucimara (mais nova que eu e mãe com muita responsabilidade), a Regiane (uma das poucas librianas que conheci na qual me dei tão bem), a Danielle que me apresentou a Galeria do Rock (1999 a 2001). Numa empresa no Brooklin, conheci a Kennya que num dia de desespero e saco cheio, ela me disse para não dar ouvidos para as pessoas que me perseguiam, que todas aquelas garotas eram ridículas, fúteis e sem conteúdo, ainda posso ouvir ela me dizendo que eu tinha que ir atrás da minha tribo, ela adorava minhas camisetas de banda e sempre me respeitou de uma maneira que se eu encontrá-la na rua serei capaz de me aproximar e agradecer mesmo fazendo tanto tempo (2003 a 2004). Em Diadema, na farmácia teve o Vicente e o Julião, que cuidavam tão bem da gente, faziam café antes da farmácia abrir pra gente começar o dia bem alimentado e disposto, exemplos de profissionalismo, podia perguntar qualquer coisa que eles ensinavam com tanto prazer... (2008 a 2010) E na livraria, conheci tanta gente bacana que eu não seria capaz de mencionar todos os nomes porque se eu me esquecesse de alguém ficaria com peso na consciência (2011 a 2013).

Não posso trabalhar diante de uma janela, eu adoro ver a rua...
E agora, me vejo nessa estrada novamente. E independente do que aconteça eu vou continuar sendo conselheira espiritual, amorosa, familiar, pessoal porque já vi que é uma das coisas que eu sei fazer melhor. Eu deveria ser cabeleireira, manicure, médica ginecologista, pediatra ou geriatra, benzedeira, psicóloga, conselheira tutelar ou policial. É, aquela polícia que negocia em casos de sequestro, que convence a pessoa a se entregar e libertar as pessoas do cativeiro.

Preciso dizer alguma coisa?
Talvez eu devesse mudar de área, fazer algo inusitado. Quem sabe!!! 

Hum, muy interessante!!!