16 de novembro de 2013

"O amor é uma flor roxa que nasce no coração dos trouxas - Parte 1"

Escrito em 26 de Junho de 2013

Para algumas pessoas o amor é algo que já vem embutido em suas vidas desde o nascimento, para outras é algo que terá que ser conquistado ano após ano, fase após fase.

Nunca foi fácil essa coisa de relacionamentos para mim e eu nunca entendi bem o porquê. Em 33 anos de vida passei quase todos eles sozinha, as poucas vezes que estive com alguém foram tão ruins que realmente não sei se essa coisa de amor é boa mesmo.
 
Não fui criada como uma dondoca, nunca fui uma princesinha, pelo contrário, sempre fui muito "moleca", mas uma moleca comportada dessas que não pula muro nem sobe em árvores. Eu odiava e odeio roupas curtas, decotadas, transparentes, enfim peças bem femininas que os homens adoram, mas admito que na infância eu adorava vestidos e saias rodadas, eu me sentia poderosa! Hoje eu ainda gosto, também acho bonito salto alto, acho muito elegante, principalmente quem sabe andar de salto! Mas de uma maneira geral sempre me vesti muito básica, muito recatada e isso não atrai a atenção de ninguém, quem gosta de muito pano são os muçulmanos e não os brasileiros.

Toda menina tem uma paixão de infância, eu não tive. Minha primeira cantada foi no primeiro dia de aula na 3ª série. Eu era nova na escola e eu me lembro que ele se chamava Gilberto, era dentuço e orelhudo (que puxa!). Eu usava o agasalho azul da escola e um arquinho azul com um laço bonito, presente de aniversário. Ele me deu um bilhete dizendo que me achava bonita. Opa! Eu era bonita ou estava bonita devido meu arco azul com laço de fita?

No ano seguinte, já com 10 anos, tive sérios problemas com um garoto chamado Ednaldo, recém-chegado de Pernambuco. Ele não era bonito, apesar do par de olhos verdes, seus dentes da frente eram podres (puxa vida!). Acho que tudo começou no 2º semestre, quando num certo dia recebi uma carta de amor e eu fiquei tão enfurecida, piquei todinha e joguei na rua mesmo (eu não costumo jogar lixo na rua). Não me lembro do conteúdo, acho que era um verso, só me lembro da letra feia, muito feia.

Eu era só uma menina, boa aluna, que não dava trabalho para os pais, criançona de tudo e bem molecona. E aquele garoto começou a me perseguir com seus olhos verdes e os garotos da sala começaram a tirar o meu sossego, a me pressionar. Era desconfortante e eu passei a odiar toda aquela situação, eu repudiava tudo aquilo.

No último dia de aula teve uma festinha, ele queria dançar uma música lenta e eu disse que só dançava com ele se fosse lambada (tava bombando naquela época e eu adorava!). Fui durona, não me rendi, fui irredutível. O mais absurdo foi que chamaram meu comportamento de infantil e eu me lembro de ter revidado respondendo "mas eu sou mesmo, eu sou criança". Sim, eu ainda era uma criança daquelas que se incomoda com a aproximação do sexo oposto.

Naquele dia fui embora pelo caminho mais longo só para não ter que aguentar mais aquela chateação. E durante aquele verão eu me tornei mocinha mesmo contra a minha vontade e no ano seguinte ninguém mais se lembrava da 4ª série, já tinha ficado para trás.

Ian Astbury e suas madeixas
Enfim, atravessei a adolescência admirando artistas, cantores, eles eram meu namorados, os caras perfeitos para ficar e investir libido e não os babacas que estudavam comigo, todos bobos e sem conteúdo. Eu amava os longos cabelos de Ian Astbury (The Cult), os olhos puxados e cara de intelectual de Mike Mills (R.E.M.), as loucuras de Mike Patton (Faith no more), o jeito de menino de M. Edwards (Jesus Jones), eu também gostava de Sean Dickson (Soup Dragons), Per Gessle (Roxette) e Robert Smith (The Cure).


Anos mais tarde, eu tive dois namorados (um de cada vez, viu?) que eu chamo de "namorado banana". O primeiro já era mais velho e fazia tudo o que sua mãe mandava, era uma coisa horrorosa de ver, credo! E o outro também era pau mandado da mãe, mas isso porque ele havia se separado e tinha que pagar pensão alimentícia, a ex-mulher havia tirado tudo dele, só ficou as calças e a casa da mamãe, tudo horrível demais para se lembrar! Em um acidente de percurso tive um namorido, ele era legal mas também se encaixava na lista de "namorado banana".  

E assim como toda mulher, eu só queria ser feliz, eu só queria sentir o frio no estomago, me sentir amada e protegida, queria ter certeza que poderia haver satisfação. Satisfação?

Quando me recuperei da separação, conheci um cara, ou melhor um babaca. Trocamos ideia em um site de relacionamentos e ele insistiu muito para me conhecer. No primeiro encontro ele não foi e só avisou em cima da hora, eu já estava no local, um shopping (porque gente da internet a gente marca encontro em local público, viu?). Me lembro que caiu uma chuva muito forte e eu fiquei ilhada, tive que esperar horas para ir embora. Depois disso, ele continuou insistindo, querendo me conhecer e eu pensei que essa insistência pudesse ser sinal de coisa boa.

O segundo encontro foi aparentemente normal, mas eu já estava certa que não daria em nada, não senti liga (aquela empolgação) e também o fato de eu ter ficado ilhada no shopping não foi legal, ele já tinha deixado uma má impressão.

Homem banana, nunca mais!
Depois trocamos ideia pelo MSN e ele me perguntou o que eu havia achado dele, eu disse que o achei simpático, cheiroso, sorriso bonito e ele disse que tinha reparado uma coisa em mim. Na hora fiquei com medo e cheguei a pensar que estivesse com mau hálito, porém não era isso, ele disse que reparou que eu ando torto... Eu não acreditei, achei aquilo tão deselegante. Tive vontade de deletá-lo do MSN na hora, mas mantive a compostura e disse (na brincadeira) que eu tinha uma perna maior que a outra, o infeliz teve coragem de dizer que isso era sério e que eu precisava de sapatos especiais (Oh meu Deus!). Pergunta se eu quis falar com ele de novo!?!?!

Sabe, acho realmente que esse negócio de amor é complicado demais. Eu devo ter nascido sem esse gene! Ou em uma outra vida ter feito algo muito cruel, devo ter atirado pedra na cruz e acertado o saco de Jesus! Sei lá!


Eu só lamento não ter nada realmente bacana para contar, de uma coisa eu sei: "homens bananas" nunca mais. Essa porta eu fechei e não quero mais abrí-la, chega! Eu não sei se é possível eu ser feliz com esse tipo de criatura, só sei que para uns o amor é bom, para mim o amor é algo lúdico que eu ainda não tive a honra de me deparar.

continua, algum dia...