7 de setembro de 2013

Lembram do Césio? Eu me lembro...

Me lembrei dessa história ontem, não sei bem como surgiu na minha cabeça, mas vamos lá:

Aconteceu em 13 de Setembro de 1987, em Goiânia. Foi um acidente com lixo radiativo causado por um aparelho de raio-X descartado indevidamente. Alguns homens acharam a máquina e a desmontaram para vender como sucata, e não sabiam o risco que corriam ao se deparar com o pó azul que brilhava no escuro denominado Césio-137. A novidade logo se espalhou entre os familiares e amigos, em pouco tempo todos estavam contaminados pela radiatividade e também todos que tiveram contato com eles.  

Na época, a notícia dominava os telejornais, só se falava nisso. As pessoas estavam com muito medo, havia pouca informação, Goiás tornou-se o foco de todas as atenções. Muitas pessoas tiveram que abandonar suas casas e não sabiam o que estava acontecendo direito nem se iam sobreviver à contaminação.
 
A garotinha Leide com apenas 6 anos foi uma das vítimas fatais
Eu tinha 7 anos e a cada novidade sobre a contaminação anunciada na TV, eu sentia muito medo. Era Césio pra lá, Césio pra cá... Quem era esse Césio??? Então eu comecei a moldar na minha cabeça uma história com todos aqueles fatos já que ninguém me explicava o que estava acontecendo: comecei a pensar que Césio era um homem e ele havia ficado muito, muito, muito doente, tão doente que contaminou todas as pessoas da rua e das redondezas de onde ele morava. Foi tão sério que tiveram que isolar toda a área e esvaziar todas as casas. E eu só pensava como esse Césio era infeliz, sozinho, contaminado, muito doente... coitadinho!!!

Com o passar dos anos eu fui entendendo melhor que aquilo tudo se tratava de radiação, mas não sabia a história, afinal eu era pequena e não prestava muita atenção ao telejornal. Em agosto de 2007, a Globo exibiu o programa Linha Direta Justiça sobre o acidente com o Césio-137 e eu fiquei boba de saber a história de verdade. Meu Deus, que horror!!! Imagina o pânico dos moradores de Goiânia naquele ano...

Isso tudo me remete a uma outra coisa: como as crianças da minha geração eram subestimadas em relação a realidade. Nem meu pai muito menos minha mãe me explicaram o que era tudo aquilo, ninguém se preocupou em me tranquilizar e dizer que eu não precisava sentir medo. Pra eles fazer isso não era importante, eu era só uma criança mesmo! E assim eu tive momentos de pavor em relação a várias coisas:

* medo dos clipes do Michael Jackson;
* tinha pavor em ouvir falar do Cometa Halley;
* até hoje não me interessei em assistir o filme  "E.T." porque durante muito tempo eu tive medo de ETs e tudo que remeta a objetos voadores não identificados;
* levei anos para conseguir assistir inteiro "Contatos imediatos de terceiro grau" (e convenhamos, é sensacional);
* não sei fazer bola de chiclete até hoje porque me diziam que se eu o engolisse iria morrer se ele grudasse no meu coração;
* não podia usar talheres de metal quando chovia pra não levar choque (mesmo dentro de casa);
* eu tinha medo do boneco do Fofão (por causa da história do punhal); 
* quando mostraram a autópsia do ET no Fantástico em 1995, eu fiquei dias sem conseguir dormir direito.

Nossa, gente! Tive uma infância e começo de adolescência cercada de medo, pavor, pânico com coisas tão banais. Posso dizer que foi negligência por parte de meus pais, com certeza.

Não façam isso com seus filhos, eles são espertos o bastante para entenderem e se preocuparem com coisas que precisam ser esclarecidas. Deixem as crianças serem crianças e de preferência com segurança, sem medos absurdos!!!


Informações extraídas do YouTube, Wikipédia e G1.