11 de setembro de 2013

Crianças podem fazer nevar!!!

Quando eu estava na 2º série, em 1988, minha mãe começou a trabalhar. Como eu não estudava no mesmo horário que minha irmã, mami teve que pagar para uma pessoa me levar e buscar para a escola todos os dias.

A mulher responsável pela tarefa também olhava outras crianças, incluindo seu filho, Israel, que estudava na mesma sala que eu. Éramos em 7 e eu não sei como ela conseguia dar contar de domar todos nós correndo e desobedecendo!

Um dia, Israel achou na rua um pedaço de isopor e ele fez a gentileza de dividir com a gente, um pedaço pra cada, e quase que numa coreografia, um atrás do outro, começamos a raspar os pedaços de isopor na parede do quarteirão da antiga Laborterápica, a parte da rua João Alfredo, em Santo Amaro.

De repente, a mãe de Israel começou a gritar: "Parem, eu vou contar para mãe de vocês!!!" Quando olhamos para trás simplesmente estava nevando, havia flocos de isopor parecendo a neve por toda a rua, flutuando no ar por entre os carros e as pessoas que passavam na calçada. Ríamos alegres com o efeito mágico que juntos havíamos conseguido com aquele simples isopor abandonado na rua.

Sabe, eu nunca estive nas Serras Gaúchas nem Catarinenses, nunca saí do país rumo à algum país frio o bastante para nevar, mas eu já vi a neve e foi naquele ano, aos 8 anos de idade, numa rua qualquer de Santo Amaro que hoje abriga puteiros e um terreno vazio pronto para receber um condomínio de prédios residenciais.


"Oh! que saudades que tenho
da aurora da minha vida,
da minha infância querida
que os anos não trazem mais!"

Meus oito anos - Casimiro de Abreu